rescaldo 1#


Será impressão minha ou os fins-de-semana

estão a passar cada vez mais rápido?




...valeu-me o teu abraço, cheio de saudade. há que tempos que não ouvia as tuas palavras que tanta falta me fazem. não que eu siga os teus conselhos (ups...) mas pelo menos fazes-me pensar. E rir. Valeu-me um sábado a construir castelos no ar, à volta de projectos de vida, a sonhar que afinal talvez seja possível. Valeu-me a noite de trovoada. que saudades que eu tinha destes ameaços de Inverno. Valeu-me o passeio de domingo, junto ao mar, que me serve sempre de consolo. Valeram-me os quilómetros percorridos ao som de músicas que chegam de ilhas encantadas, que me trazem novas forças para enfrentar cada semana. Valeu-me o carro avariar mais uma vez e, ao invés de ficar chateada, acabar perdida de riso. Para a semana há mais :)

dúvidas...

Lars and the Real Girl


...será loucura assumir perante todos a necessidade que temos de segurança? o admitir que precisamos de sentir que, ao menos por uma vez, a pessoa a quem abrimos o nosso mundo, não vai desaparecer? porque nos apontam o dedo ao admitirmos que precisamos sentir que afinal há coisas que não são efémeras? será assim tão estranho este medo de deixarmos que invadam o nosso espaço, para depois partirem com os segredos roubados?



Dagmar: It's such a comfort sometimes, just to have somebody's arms around you. Don't you think?
Lars: No.
Dagmar: It feels good.
Lars: It does not feel good. It, it hurts.
Dagmar: Oh, like a cut, or bruise?
Lars: Like a burn. Like when you go outside and your feet freeze and you come back in and then they thaw out? It's like that. It's almost exactly like that.



p.s.:Há muito que não me identificava desta forma com uma personagem.

Leva-me pela mão

Lisboa - Janeiro 2008


Leva-me pela mão. Quero respirar fundo e começar de novo. Deixar em casa as bagagens e partir à descoberta. Contigo. Sem medos, nem pesos. Quero conhecer essa ilha de que me falas. Ver esse local do qual me vais trazendo fragmentos em forma de grãos de areia. Preciso saber que força é essa que te move. Como aprendeste tudo o que me tens ensinando? Deixa-me conhecer-te por inteiro. Captar-te com cada um dos sentidos. Um de cada vez….

…Sentir-te. Tocar-te no escuro e conhecer-te. Percorrer o teu corpo lentamente e reconhecer quem realmente és. Aquele que mais ninguém vê. Com as tuas fraquezas. Com os receios que escondes por detrás do sorriso. As tuas memórias de menino e os teus sonhos de crescido. Que segredos guardas tu?

…Olhar-te. Ver o que trazes dentro de ti e que é invisível aos outros que te rodeiam. Espreitar para dentro dos teus olhos e perder-me neles. Olhar o mundo através de ti. Imaginar tudo o que trazes na alma.

…Ouvir-te. Como quem escuta o mar. Deixar-me embalar pelas tuas ondas. Entregar-me à tua voz firme. Encantar-me com as tuas palavras. E perceber que nos nossos silêncios construímos certezas dentro de nós.

…Cheirar-te. Guia-me com o teu doce odor, nesta viagem que fazemos noite dentro. Mostra-me os teus recantos. Quero saber-te de cor. Sem hesitações.

…Saborear-te. Deixa-me sentir o teu gosto. Guardar comigo os teus sabores. Como quem regressa de viagens distantes e sente ainda na boca o travo exótico das iguarias descobertas.

Leva-me pela mão. Mostra-me que no teu mundo tudo é possível. Olha-me com olhos de ver. Ouve as minhas estórias que não conto a mais ninguém. Conta as minhas cicatrizes e aceita-me como sou. Por inteiro. Com todos os meus defeitos e imperfeições. Com todos os desvios matreiros que percorri por engano até chegar aqui. A esta tua ilha em que me deixas perder. Fica ao meu lado no escuro. Recebe as minhas lágrimas e transforma-as em sorrisos. Partilha comigo o teu calor. Torna mais doce esta espera pelo dia de amanhã. Diz-me que aqui sou alguém. Ainda que tudo isto não passe de mais uma ilusão.


Confiança(s)

Ostersund (Suécia) - Fevereiro 2004


Desde o primeiro suspiro que procuramos alguém em quem possamos confiar. Alguém que nos dê a mão, que cuide de nós quando mais precisamos, que nos aqueça em dias frios e que se disponha a oferecer-nos sorrisos mesmo quando não os sabemos devolver. Ao longo dos anos vamos aprendendo que nem todos o farão e, acima de tudo, que aqueles que hoje nos acompanham acabarão (quase) inevitavelmente por falhar a dada altura. Normalmente quando mais precisamos.

Tornamo-nos mais cautelosos e aprendemos que, afinal, não podemos confiar em toda a gente. Ou pelo menos não podemos confiar cegamente como seria nosso desejo. Vamos criando defesas e, lentamente, fechamo-nos no nosso castelo e não permitimos que qualquer um o possa invadir. Vivemos de relações ilusórias. De abraços dados através das grades, que se querem fortes para nos protegerem. Para garantir que ninguém chegará realmente até nós. Movemo-nos em mundos paralelos que tememos que passem a reais. Estabelecemos ligações aqui e ali, preferencialmente à distância. Sempre a uma distância que nos permita alguma margem de manobra para fugirmos. Para nos defendermos. Construimos e vendemos uma imagem idealizada de nós mesmos. E, acima de tudo, esforçamo-nos para que nunca ultrapassem a tal linha imaginária que uma vez transposta implica grandes riscos.

Nem toda a gente consegue passar esta fronteira tão bem (?) protegida. À custa de muitos erros vamos aprendendo alguns truques que nos ajudam a distinguir quem merece visitar-nos. Muitos nos estendem a mão mas poucos são os que querem realmente aliviar-nos o peso que trazemos. Por vezes passam-nos o braço pelo ombro apenas para sentirem até onde conseguimos suportar. Outros sentam-se ao nosso lado, sem que alguma vez estejam realmente connosco. Para a maioria somos uma espécie de passatempo. Quando o nosso grau de exigência aumenta, ou quando a dificuldade dos nossos problemas sobe de nível, afastam-se como crianças aborrecidas por não conseguirem resolver um quebra-cabeças. Não é facil fazer a distinção e o instinto, que tantas vezes nos comanda, nem sempre indica os melhores caminhos.

Por vezes baixamos a guarda e deixamos que cheguem a este lado. A este mundo que só nós conhecemos e que guardamos como um tesouro. Não que seja precioso mas apenas porque é o que temos de mais nosso. As nossas memórias de criança e os nossos sonhos de adulto. Os medos que nos assombram as noites e os desafios que fomos ultrapassando. As lágrimas que chorámos sozinhos e os sorrisos que fomos conquistando. As ilusões que ousámos viver e as outras que tememos assumir. Coisas pequenas. Uns pequenos nadas que nos dão a ilusão de sermos unicos, especiais. Ainda que apenas aos olhos daqueles a quem nos vamos entregando. Afinal, de que vale um tesouro se não o pudermos partilhar?

Então arriscamos confiar. Confiar implica sempre um elevado risco. É precisamente o estar disposto a correr esse risco, quando não sabemos o que nos espera. É estar disposto a baixar as armas, mesmo sem saber o que há do lado de lá. É deixarmo-nos cair, mesmo sem certezas se nos vão agarrar. É fechar os olhos e deixarmo-nos ir às cegas. É perder o (aparente) controlo sobre o que nos rodeia e acreditar em quem nos leva pela mão no escuro, muitas vezes em silêncio. É seguirmos um caminho sem certezas. E mesmo assim irmos. Apenas porque sim.

...e sabe tão bem deixarmo-nos ir!




Descubra as diferenças

Andava eu aqui a pastelar, saltitando de blog em blog, quando encontrei esta imagem.
Juro que demorou algum tempo até ter a certeza que, afinal, não era o meu carro ;)


p.s.: sim, eu sei, já faltou mais!


Aceitam-se palpites...


...e, já agora, companhia ;)



Angústias de uma irmã mais velha...


Pequeno desabafo:

Agora é que eu percebo o que os pais sofrem com os filhos adolescentes!
Descobri numa rede social que a minha irmã - aquela a quem eu mudei a fralda e ensinei a andar - tem namorado...e isso dá-me cabo dos nervos!
Penso que, como acontece com os pais, para mim ela será sempre uma criança doce e inocente e aquele velhaco que a desviou será sempre o mau da fita.
Enfim...nunca mais vou dormir descansada!


p.s.: ...é por estas e por outras que penso cada vez mais seriamente em ficar para tia!

What's next?

Tavira - Agosto 2008

Por muito que me esforce por usar as palavras certas, o certo é que não as encontro. Estou de volta após umas muito merecidas férias, que estiveram muito, muito perto de serem perfeitas! Mais uma vez se provou que não há como o improviso, deixarmo-nos ir e ver o que acontece...assim foi!


Ficam na memória uma série de imagens que agora custam a sair: os mapas muito actuais, a K7 engolida pelo rádio, os sucedâneos de Dráculas à beira da estrada, as sessões de jogo noite dentro (somos mesmo bons no Tabu...), os shots de Ginginha e os vinhos "docinhos" no terraço, os malditos caracóis que estavam difíceis de apanhar (e todos os outros petiscos que pareciam saídos de manuais de culinária aplicada!), os Xutos que mais faziam lembrar os Pauliteiros do dia anterior e as corridas atrás do senhor das bolinhas...sem creme!


Há muito que esperava por uns dias assim, por uma prova de estar no caminho certo. Precisava encontrar um ponto de partida para algo novo. Sim, voltei lamechas...mas é uma lamechice boa. Daquela que me trás vontade de distribuir mimos a toda a gente. Volto fascinada com o que recebi de novo nestes dias...e por perceber que afinal tudo depende da nossa vontade!

É bom sentir ainda no corpo as marcas dos dias inteiros passados na praia...e também das noites passadas a contar estrelas! Guardo na memória as constelações triangulares descobertas (...ainda sem nome!) e a sensação de acordar sob o céu azul ao som do sino das igrejas em volta. Recordo os malabarismos na areia e os mergulhos ao fim da tarde a que arriscaria chamar de perfeitos.

Olho em meu redor e deixo-me deslumbrar pelas novas cores que descobri. Sinto que cá dentro cresceu um desejo de mais, muito mais...como se, finalmente, tivesse acordado de vez e quisesse tudo o que há de bom. Pode dizer-se que volto de bagagem cheia, mas há ainda espaço para muito mais portanto...what's next?!?