#19.4


“espero notícias tuas na volta do correio” 
#20 colecciono caixas do correio
 #whennotif

#19.3


(dos balanços)

Janeiro é mês de balanços. De olhar para os planos com que me comprometi no inicio do ano passado. Mas este Dezembro, quando me decidi a avaliar o avaliar o desvio do rota, percebi que a minha última lista se perdeu no meio do caos em que se tornou o último ano. Lembro-me que tinha metas simples, pouco exigentes, até um pouco vagas. Mas já um esboço daquilo em que o 2018 se tornou: o ano em que me lembrei de mim. Lembro-me de não ter bem ideia do que queria mudar, mas saber - sentir! - que era preciso, antes de mais, que eu mudasse! E foi assim que 2018 se tornou o ano em que, lentamente, fui pondo o resto do mundo em segundo plano. E fui arriscando guiar-me mais pelo que sinto, mesmo que não faça sentido a mais ninguém. Fui acreditando que afinal vou muito a tempo de parar tudo e mudar de rumo. Em 2018 descobri que conhecia muito pouco de mim. E que gosto muito mais deste novo eu. Que acredita que o passado não tem de limitar todo o futuro. Talvez tenha demorado demasiados anos a percebe-lo. Ou talvez tenha sido exactamente o tempo necessário. Passei toda a vida com dúvidas sobre o que queria. Muito por viver presa ao que deveria ser, aos olhos dos outros. Por querer agradar a todos, sem perceber que assim nunca iria cumprir com os meus próprios sonhos. Foi um ano em que o tempo se arrastou, sem pressas, como que a querer dar-me a oportunidade de perceber cada detalhe. Cada pista. E cheguei a Dezembro com a sensação de ter ouvido cada sinal, e aproveitado cada teste, como quem procura avidamente confirmar o que o coração já não esconde. Fechar 2018 é sinónimo de saber exactamente quem quero ser. Ou onde quero chegar. E por onde quero ir. Cá dentro há um misto de paz e urgência. Por saber finalmente que é por aqui, mas não querer perder mais tempo nos desvios. Nos caminhos sem saída que já não levam a lado algum. Há que gerir a urgência da alma com a sabedoria do corpo. Que me diz que tudo será melhor quando feito com cabeça. Mas ouvindo o coração. Iniciar 2019 é marcar o (re)começo da mudança. É saber que daqui por um ano nada será igual. E isso ser tão, mas tão bom :)

#19.2



 (e tu, aproveitaste o tempo das borboletas?)

#19.1

(primeira janela)
Precisamos sempre do pretexto. Da desculpa. Para marcar o dia a partir do qual tudo muda. Às vezes somos suficientemente fortes para dizer - e acreditar - que qualquer um serve. Outras vezes precisamos que nos digam que hoje é o dia em que podemos mudar tudo. Ou arriscar que não se mantenha igual. Às vezes perdemos meses a adiar o futuro. À espera que o calendário marque o dia em que todos os sonhos são possíveis. Em que, ao soar das badaladas, somos impelidos a formular desejos em formato de passa. Se há coisa que aprendi foi que raramente esses desejos  se cumprem e, em poucas semanas, acabo outra vez refém do tempo, à espera de dias melhores. Este ano substitui os desejos por promessas. Por compromissos. Deixei pois de desejar saúde, mas comprometo-me a cuidar da minha. Não desejo felicidade mas comprometo-me a buscá-la nas pequenas coisas do dia-a-dia. Não desejo ter os meus amigos sempre por perto, mas comprometo-me a estar sempre ao seu lado. Não desejo amor, mas prometo vivê-lo a cada oportunidade. A fazer com que este ano não seja sobre desejos no papel, mas sim sobre as promessas que ganham forma. E sobre os sonhos que se tornam em memórias. Comprometo-me a ver todos os dias como janelas, de onde espreitam sorrisos. Se assim quisermos. 

bom ano :)

37°31'28.1"N 8°47'13.5"W


Não conseguiu precisar quantos anos passaram desde a última vez. Pelo menos uma dúzia. Seguramente demasiado tempo para um sítio que lhe ocupa tanto espaço no coração. Ou talvez o tempo necessário para que tivesse coragem de regressar. Não apenas à aridez das ruas, e ao som do mar. Mas principalmente às memórias que até agora não lhe permitiam rumar a esta terra. Abrir as caixas de recordações - que insiste em não deitar fora - é reecontrar-se com imagens há muito esquecidas. De quando travava outras lutas e acreditava noutro futuro. De quando vivia cheia de sonhos mas também com muitas mágoas que os anos acabaram por atenuar. É-lhe dificil resistir ao clássico soubesse eu o que sei hoje, mas também sabe - hoje - que de pouco lhe teria valido. E que foi precisamente esse caminho que a trouxe até aqui, a este dia, em que se predispõe a Recomeçar - outra vez. Sabia que qualquer viagem teria de iniciar-se aqui, E a urgencia de seguir caminho - e descobrir o que a vida lhe reserva - trouxe-lhe também a coragem para começar a sua viagem. Para arrumar as imagens do passado e criar novas memórias que lhe pudessem preecher a alma. 

regressar


O que me move são as memórias. Cada sítio guarda a sua estória. Anseio por regressar aos locais que me marcaram, ao invés de procurar novos registos. Vivo agarrada ao passado. Não sei se por descrença no futuro ou apenas por me alimentar a nostalgia. Talvez seja aliás um sinal da passagem dos anos. Ou prova da maturidade por que que tantos anseiam. Os últimos tempos trouxeram-me uma necessidade de reviver momentos. De voltar a sítios que o coração teima em manter gravados. Seja por guardar deles as melhores memórias ou as piores angustias. No pensamento vai-se desenhando um mapa da vida. Uma série de recordações surgem agora mais nitidas. Nem sempre boas. Nem sempre más. Mas cada vez mais ricas em detalhes a que nunca cheguei a dar importância. Percebo agora que levei sempre muito tempo para apreciar as coisas devidamente. Talvez porque demasiadas vezes quis apenas que tudo acabasse depressa. Dou por mim a pensar em pessoas de quem há muito tinha esquecido o nome. E que no entanto me marcaram para sempre. Recordo avidamente viagens que me pareceram banais. A descubro que deixei nesses lugares tanto de mim. No peito cresce uma urgência de regressar. De preencher os detalhes que faltam. E unir os pontos no mapa. Como quem precisa de completar um desenho para lhe compreender o sentido. Ou como se precisasse encontrar os meus pedaços para poder então seguir caminho. O regresso não é apenas olhar para trás, ou evocar memórias. É procurar o que perdi no passar dos dias. E saber que esquecer o passado não serve para quem quer avançar. É acreditar que o nem sempre ter sido feliz não implica não poder ser -ainda - feliz para sempre. Regressar é portanto parte da viagem.


1# reality check





Without love it ain’t nothing
But a house, a house where
Nobody lives