19 maio 2017

do tempo


o tempo não tem uma só unidade. pode ser medido em escalas diversas. conforme o sabor das emoções. um segundo pode durar toda a eternidade. e os anos podem voar sem que te dês conta. há uma ano aprendi a contar o tempo em semanas. primeiro curtas e preenchidas. depois lentas e vagarosas. cada vez mais pesadas com o avançar do calendário. os dias pareciam arrastar-se e tudo o que mais queria era que o tempo se despachasse. que me mostrasse o futuro - como se saltasse as páginas do livro na ânsia de chegar ao final. o tempo foi meu amigo e deu-me uma hora pequenina, como tu, que parecias escorregar-me dos dedos quando te abracei pela primeira vez. vieste cheia de pressa. com um desassossego próprio de quem tem toda a vida pela frente. tanta coisa para viver e pouco tempo para perder. mas para mim o tempo parou. a minha vida-sem-ti ficou congelada noutro fuso horário. num planeta distante que é difícil recordar. cinco meses passaram desde aquele pequeno instante em que o meu tempo ganhou uma nova escala. inesperadamente a vida passou a ser medida em horas de colo e de abraços apertados. em dúvidas e medos, abafados por sorrisos encantados e gargalhadas cúmplices. os dias são longos mas igualmente velozes. todas as horas são embrulhadas em papel-de-memória. como quem quer guardar, para todo o sempre, cada detalhe deste tempo que quero medir para sempre, apenas e só, em forma de amor.

e tu, como medes o teu tempo?


22 novembro 2016

*35*


E há anos em que não precisas de dizer muito para que todos saibam 
que tens à tua volta tudo aquilo que alguma vez precisaste.

(obrigada a todos os que me estragam com mimos e estão sempre aqui comigo. para sempre. aconteça o que acontecer)

04 novembro 2016

balanço pré-termo*



o passar dos dias ensinou-me a acreditar que sempre chegamos ao sítio onde somos esperados. porque sim. ou porque se deixarmos a vida acontecer, sem resistências, havemos de encontrar a tal estrada que nos leva onde-nem-sabemos-que-queremos-chegar. e porque tudo o que nos sucede tem um motivo. até quando somos apanhados de surpresa no momento mais inesperado. naquela altura em que tudo à nossa volta parece descabido, sem sentido, e a vida nos lança um desafio. ou nos aponta uma saída. talvez em forma de sinal que chegou a hora ir por aqui. mesmo que o medo fale - muito alto - e mesmo que o momento não seja o melhor (alguma vez será?). e mesmo que sinta que tudo foge do meu controlo. ou que ando a pisar terras nada certas. todas as estradas levam a caminhos que não esperava percorrer. o medo de errar mistura-se com as hormonas, num misto de pânico e de esperança. todos têm uma opinião e eu mantenho-me à parte, à espera - a contar as semanas - e a pedir baixinho que no fim, todas as peças se encaixem. e deixe de ser preciso explicar todas as coisas que não têm explicação. a vida - já o disse -é mais simples do que parece. se assim quisermos.



*(dos anos mais longos - como ciclos intermináveis - em que todos os dias apetece deixar de acreditar. como este 2016 que passei a fechar portas e a arrumar caixas, e a dizer tantos adeus para sempre,  apenas e só para agora saber - cheia de certezas - que o ano vai acabar com saldo positivo. e que tudo irá fazer sentido quando te tiver nos braços. até já)



19 setembro 2016

coisas simples



às vezes ser feliz está apenas à distância das coisas simples. percebo agora que a vida é - na maioria das vezes - muito mais fácil se não teimarmos em complica-la. ou em achar que a felicidade depende de metas longínquas. ou em adiar decisões que, em poucos segundos, tornam a nossa vida tão melhor. dar o passo certo devolve-nos à vida. é incrível como dizer palavras tão simples pode trazer mudanças enormes aos nossos dias. ou como a coragem para arriscar fazer o que mais queremos é afinal tudo o que precisamos para sermos felizes. o dia-a-dia ensinou-me que a felicidade vem das tais coisas simples de que não nos privamos. se nos permitirmos fazer as coisas só porque sim. ou porque nos apetece - e porque, afinal, não há nenhum bom motivo para não as fazermos - o mais provável é que é amanhã acordemos mais felizes. pelo simples facto de termos ousado desbravar mais um caminho. mesmo que não seja o certo (ou o que os outros chamam de certo). a felicidade faz-se de boas memórias. de recordações que fomos construindo. das emoções que guardamos na pele. o que conta no último dia é que tenhamos preenchido a nossa vida de aventuras - mesmo as mais simples - ao invés de ficar à espera do dia certo, ou das condições ideais, para podermos finalmente começar a ser felizes. insistimos muitas vezes em complicar. em racionalizar emoções. em equacionar inúmeras variáveis - que não dominamos - como se isso fosse garantia de sucesso. quando afinal, a verdade, verdadinha, é que o nosso sucesso apenas depende da vontade que temos no peito. e do quanto queremos afinal sorrir todos os dias :)


22 março 2016

sempre acreditei que um dia me ensinarias a velejar


Quando chegou a notícia acreditei que a tua morte me seria indiferente. Tudo o que me ocorreu foi tratar das questões práticas. Aquilo que tinha de ser feito. Queria saber o como, o quando e o onde. Queria respostas frias. Sem sentimentos. Sem dramas. Queria que a distância entre nós fosse a mesma que me separa de qualquer estranho. Não quis despedir-me. Achava que a nossa despedida já tinha sido feita há demasiado tempo. Para mim eras um assunto resolvido. Os dias foram passando e sei agora que estava errada. Sei agora que apenas te tinha arrumado numa das minhas gavetas, como quem acreditasse que um dia havíamos de arrumar a casa. Talvez até de trocarmos ideias sobre isso da paternidade. Quando fosse mais velha. Mais madura. E havia tanto tempo. Pelo menos na minha cabeça. Não pensei que pudesses partir tão cedo. E agora, à medida que o tempo passa, sei que nunca nada será o mesmo. Sei que não voltarás a escrever-me a cada aniversário. E que no meu telefone não voltará a aparecer o teu nome. E isso é estranho. Pensar em tudo o que ficou por dizer e perceber que o que sempre nos uniu foi o silêncio. Quando o que mais querias era ouvir-me. E conhecer-me. Como se não soubesses desde sempre que sou demasiado parecida contigo. Apesar de sempre ter acreditado que esta distância seria o suficiente para o esconder. Talvez assim nunca saibam onde fui buscar esta minha metade. Esperava que um dia tivesses conhecido as minhas questões. Aquelas que nunca tive forças para deitar cá para fora. No fundo porque nunca arranjei coragem de ouvir as tuas respostas. Ou para que as sentir como verdadeiras. Assim como sinto agora a tua presença a cada vez que me olho ao espelho. A verdade é que nunca pensei que pudesse sentir a tua falta. E agora, sei que nunca serei capaz de olhar o mar sem me lembrar de ti (e do que podíamos ter sido).

22 novembro 2015

*trinta e quatro*

Em criança gostava de perder horas a sonhar com o futuro. Passava noites inteiras a planear cada detalhe do que seria a sua vida. Sempre foi uma rapariga solitária. A miúda estranha que mudava de escola todos os anos - às vezes mais que uma vez por ano – e que cedo desistiu de fazer novos amigos a cada mudança. Sempre preferiu passar os intervalos no canto do recreio. Isolada no seu mundo. Onde não tinha de explicar, uma e outra vez, de onde vinha ou para onde ia
Lembra-se de passar as férias de Verão a escrevinhar no seu diário. Caixinha de desabafos. O melhor amigo a quem confessava as suas mágoas. Mas principalmente os seus sonhos. Nunca foi de ficar a olhar para trás. Ou de se queixar pelas suas desventuras. No fundo sempre gostou mais de usar o futuro como escape para as dores do dia-a-dia. Mesmo nos momentos em que se sentia mais só preferia fantasiar sobre o dia em que se veria rodeada de amigos. 
Nunca quis ser a miúda mais popular – essa ideia sempre a assustou, na verdade – mas cedo compreendeu que seria mais feliz quando tivesse à sua volta alguém com quem partilhar o seu mundo. Os seus planos. Sempre foi uma fanática do planeamento. Perdeu conta às vezes em que escreveu no papel todos os dias que tinha pela frente. Houve alturas em que acreditou que tudo na sua vida seria linear. Pelo menos a partir desse dia.
Vivia na ilusão de que o pior já tinha passado e que de hoje em diante tudo seria finalmente fácil. Queria uma história com final feliz  - como lhe prometiam nos livros que trazia sempre consigo. Mas queria acima de tudo que a sua vida fizesse sentido. Que tivesse pés e cabeça – ainda que o tronco nem sempre tivesse sido bem definido. Gostava que deixassem de lhe perguntar coisas para as quais não tinha resposta. E que deixassem de lhe dizer o que era ou não possível. Ou realista. 
Para ela qualquer sonho estava apenas à distância da vontade. Sempre acreditou que haveria de chegar onde quisesse. Ainda que tantas vezes tenha sido forçada a aprender que certas coisas não merecem o esforço. Preferia viver num mundo em que os limites fossem definidos por si, e não pelas pessoas que a rodeavam. Quantas vezes baixou a cabeça e disse sim, tens razão para em segredo pensar mas quem decide sobre isso sou eu
Gostava de ouvir os outros. De observar o mundo à sua volta. Nem que fosse para se rir das ideias parvas que ia apanhando aqui e ali. Era uma miúda calada. Por vezes tímida. Mas sem medo de dizer o que pensava. Embora muitas vezes não se desse ao trabalho de partilhar com o mundo aquilo que ia na alma. Mais por não ter paciência para explicar coisas que para si sempre foram óbvias. Não tanto por achar que as suas ideias eram melhores. Apenas diferentes. Às vezes muito diferentes. 
Sempre falou baixinho mas – com as suas ideias estranhas – sempre conseguiu que toda a gente se virasse para a ouvir. Ainda que logo em seguida todos se rissem de si. Às escondidas. Nunca percebeu porque é que todos pareciam ter algum medo de si. Olhavam para ela de lado e evitavam o contacto. Talvez no fundo não soubessem o que dizer. Ou temessem ouvir alguma coisa para a qual não tivessem resposta. 
Era uma miúda que insistia em dizer as coisas como as sentia. Sem floreados. Por vezes de forma demasiado directa. E isso confundia-se com indelicadeza. O que muito lhe convinha. Assim conseguia manter à distância uma série de pessoas. Evitava a proximidade excessiva que tanto a incomodava.
Nunca percebeu a necessidade de fazer conversa e os amigos que foi fazendo foram aqueles que souberam acima de tudo partilhar silêncios. Pontuados por piadas parvas. Deixava-se seduzir por pessoas capazes de se rir de si próprias. E dos azares da vida. E de todas as asneiras que somos capazes de fazer no dia-a-dia. Sempre foi melhor a confidenciar actos falhados do que a partilhar sucessos. 
Até porque nunca soube lidar com elogios. Ou com palavras doces. Apesar de sempre ter sonhado com cenários mágicos. Saídos de contos de fadas. Onde respirava paz. E em que encontraria finalmente as palavras certas. Nos momentos certos. Sem ter de se preocupar em ser perfeita. Esse pesadelo que sempre a assombrou. 
Desde pequena foi listando as suas capacidades. Bem como as limitações. Como se tivesse plena noção de quem era. Ou como era. Acreditava conhecer os seus limites. Que mesmo não sabendo para onde ia,  tinha certezas sobre o que nunca faria. Como se pudesse prever a sua reacção perante cada desafio. De forma consistente. Ou adulta, como insistiam em chamar-lhe.
Acreditava que seria sempre fiel aos seus princípios. E que estes se manteriam inalteráveis para todo o sempre. Que nunca lhe faltariam forças para agir de acordo com o que esperavam de si. Sempre com o propósito maior de não desiludir. Como se tal fosse conciliável com os seus sonhos. Como se fosse possível chegar onde nos esperam sem deixar algumas mágoas pelo caminho.
O tempo ensinou-lhe que estava afinal errada em relação a tantas coisas. Mas foi só mais tarde, aos trinta e quatro, que se viu numa nova encruzilhada. Via-se agora forçada a tomar decisões. A procurar um equilíbrio entre o desiludir e o desiludir-se. Entre o respeitar e o respeitar-se. Ou entre fazer feliz ou ser feliz.
(continua)

21 novembro 2015

1# o bom de estar de férias é...


ter horas de sobra para pôr a escrita em dia :)


(ainda a aceitar inscrições para postais na caixinha das mensagens)

16 novembro 2015

a caminho


"A vida é o que fazemos dela.
As viagens são os viajantes. 
O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos"


É chegado o dia em que partimos. Fazemos as malas e vamos à aventura. Não interessa para o caso a distância que nos separa de casa. É a mais a necessidade de partir. De fechar a porta que nos recebe todos os dias. O desligar das rotinas. A busca por algo novo. Que nos desperte os sentidos. Ou nos adormeça as dores. Viajar não é mais que um reencontro. A eterna descoberta do eu que teima em esconder-se na passagem dos dias. Todos iguais. Muitos deles cinzentos. Como se insistisse em ver diariamente o mesmo filme, já sem cor, e cujo final nada traz de novo. Mas partir traz-nos de volta a esperança. A crença de podermos enfim quebrar as amarras. Deixar para trás aquilo de que não precisamos. Levar na bagagem apenas o que nos aquece o coração. As músicas que há muito deixámos de ouvir. Os livros que não temos tempo de ler. Os blocos de notas – novos em folha – cuja estreia fomos adiando. O papel das cartas que nunca mais escrevemos. As moradas dos amigos que se colaram ao peito mas para os quais nem sempre encontramos as palavras certas. No momento em que lhes é devido. Viajar para mim é também isto. Pagar dívidas eternas àqueles de quem mais gosto. E lembrar-me daquilo que me faz falta. Ou de quem me faz falta. E lembrar-me de mim. Perceber que há muito demasiado tempo me esqueci de olhar aqui para dentro. Para o local onde guardo os sonhos. A caxinha onde escondo tudo aquilo que gostava de ter sido mas não tive (ainda) coragem. Vajar é parar um instante (vários instantes!) e (re)orientar a rota. Passou tanto tempo desde a última paragem que tenho dificuldade em saber sequer onde estou. Ou quem sou. Há muito que me voltei a perder e procuro agora novos atalhos para o meu destino. Haverá tempo, dizem-me, e isso chega-me para acreditar hei-de lá chegar.

04 novembro 2015

(aqui) estou em casa


Chamaste-me e eu vim. Voltei a casa. Ao local onde guardei para sempre os meus tesouros. A salvo do mundo lá fora. Da erosão dos dias. Do cansaço das rotinas. Sabe-me a casa de férias. Aquele espaço pelo qual suspiramos  todo o ano. Ou toda a vida. E do qual só guardamos boas memórias. Onde o tempo parece parar. Aqui os dias são mais longos. Faz sempre sol (mesmo em dias de chuva). As noites são quentes e no céu há sempre estrelas cadentes. Sabemos que a cada regresso tudo estará no devido lugar onde o deixámos. Quer tenhamos partido há um mês ou há seis anos. Ao reabrir a porta reconhecemos os perfumes gravados na memória olfactiva. Espalhados pela casa encontramos os nossos livros preferidos. Aqueles que nos servem de guia mas que já não consultamos há demasiado tempo. No gira discos está ainda o nosso álbum favorito. Mesmo a pedir mais uma voltinha, como quem promete uma viagem para outro universo. Nas prateleiras há uma colecção dos filmes que insistem em roubar-nos lágrimas. E aos quais nunca conseguimos resistir rever. Na esperança talvez de um final diferente. Ou apenas para nos permitirmos sonhar mais uma vez que temos aquela coragem de arriscar. Como os nossos heróis. Na gaveta encontramos os álbuns de fotografias. Imagens que a nossa memória insiste em reproduzir a cores mais vividas. Como se tivessem sido tiradas ontem. Sempre gostei deste termo. Tirar fotografias. Como se a película nos roubasse aquele instante. Ou o tirasse  desta dimensão para o guardar noutro mundo. Onde nada se perde. Como os planos que traçamos naqueles mapas guardados no móvel da entrada. E que ali ficaram à espera de uma próxima visita. De um regresso para novas aventuras. Na mesa de cabeceira encontro o meu velho caderno de notas com rascunhos do que ficou por dizer. Mesmo ao lado está um bloco de capa preta, rabiscado por crianças, e cujas páginas guardam ainda o sal da praia no Inverno. Sim, porque nesta casa não é sempre Verão, apesar de se encontrarem vestígios de areia entre os lençóis. E um pequeno búzio pousado na almofada. Como quem procura escutar as palavras que há tanto tempo se calaram. Sento-me no chão e vou abrindo os baús de recordações. Caixas de sorrisos à espera de serem (re)desenhados. Vou sacudindo as poeiras. Com uma sensação de paz quase desconhecida. Ou há muito esquecida. Como quem tem aqui tudo aquilo que precisa. Como quem finalmente se encontra.
Estou em casa.



24 março 2015

Há palavras que requerem uma pausa e silêncio




Ponho o ouvido à escuta de encontro ao mundo:
ouço-me para dentro. Mal posso
dar no mundo um passo
sem tremer: sinto-me
balouçado num sonho imenso, ando
nas pontas dos pés.
                                E estou só e a noite.


Herberto Helder



(e há vidas que requerem ser perdidas aos poucos, como quem nunca
 chegará a partir) 

20 março 2015

na bagagem #7


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro





16 março 2015

coisas que aprendes com mais uma mudança #1


Sabes que estás uma pessoa crescida quando no teu top de preocupações
está a planificação da nova cozinha :)


(...e esta mania de no século XIX não fazerem as casas com medidas standard?) 

09 março 2015

DRD4-7R



Afinal há explicação para este bicho carpinteiro que me faz ansiar por novas viagens todos os dias.



...ai Novembro que estás tão longe!


26 fevereiro 2015

ponto de situação


Há sempre - pelo menos - dois lados, Duas perspectivas. Podem sempre ver-se as coisas segundo prismas diferentes. Se é verdade que deixei de ter tempos mortos desde que comecei o desafio A Month of Letters, também é verdade que a minha caixa de correio não voltou a estar vazia. Todos os dias chegam cartas e postais, vindos de todos os cantos do mundo. E também todos os dias continuam a chegar novos endereços para a lista dos envios. Fevereiro está a acabar mas estou longe de ter conseguido responder a todos os pedidos. Afinal de contas são apenas 28 dias, tempo curto para conseguir usar todas as palavras que tenho cá dentro. Muito poucos dias para poder responder às dezenas de cartas que me têm chegado às mãos. Assim sendo, decido-me a fazer o que já previa: o desafio será prolongado! Aquilo que era um mês de cartas passará a ser o uma carta por dia - enquanto me apetecer! E sim, cheira-me que em breve irá nascer daqui um novo projeto mas isso... será só lá mais para a frente :)


p.s.: entretanto continua aberta a lista de inscrições (por mensagem ou aqui)


17 fevereiro 2015

porto de abrigo #1


Cinco anos, quatros casas. Tudo começou aqui, ou naquele segundo em que me apaixonei por aquela vista. Ali percebi porque estarei para sempre presa a esta cidade. Foram meses que passaram a correr. Sempre de casa cheia. Sempre de coração cheio. Olhando para trás percebo que pouco aproveitei o privilégio daquela morada. Passado um ano lá ia eu, escada abaixo, escada acima. toca a arrumar a tralha e a trocar de bairro. Deixei o meu monte e rumei à casa de bonecas que me acolheu por mais dois anos. Até ser tempo de procurar algo maior. Uma casa mais a sério. Mas ainda (sempre?) com aquela nostalgia da vista que perdi. Sempre aquela mágoa por não poder, em casa, perder o olhar no horizonte. Até que agora, mais dois anos passados, entrei nesta sala e me perdi no meu Tejo que corre lá fora. E nas paredes vazias à espera de serem habitadas com memórias. E nestas portadas que enchem de luz esta casa que pede para ser vivida. E isso é quanto baste para voltar a pôr toda a vida em caixotes, rumo ao novo espaço a que vou - muito em breve - chamar lar.

    Ninguém nunca pensou no que há para além
    Do rio da minha aldeia.

    O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
    Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

       Alberto Caeiro