23 setembro 2008

Leva-me pela mão

Lisboa - Janeiro 2008


Leva-me pela mão. Quero respirar fundo e começar de novo. Deixar em casa as bagagens e partir à descoberta. Contigo. Sem medos, nem pesos. Quero conhecer essa ilha de que me falas. Ver esse local do qual me vais trazendo fragmentos em forma de grãos de areia. Preciso saber que força é essa que te move. Como aprendeste tudo o que me tens ensinando? Deixa-me conhecer-te por inteiro. Captar-te com cada um dos sentidos. Um de cada vez….

…Sentir-te. Tocar-te no escuro e conhecer-te. Percorrer o teu corpo lentamente e reconhecer quem realmente és. Aquele que mais ninguém vê. Com as tuas fraquezas. Com os receios que escondes por detrás do sorriso. As tuas memórias de menino e os teus sonhos de crescido. Que segredos guardas tu?

…Olhar-te. Ver o que trazes dentro de ti e que é invisível aos outros que te rodeiam. Espreitar para dentro dos teus olhos e perder-me neles. Olhar o mundo através de ti. Imaginar tudo o que trazes na alma.

…Ouvir-te. Como quem escuta o mar. Deixar-me embalar pelas tuas ondas. Entregar-me à tua voz firme. Encantar-me com as tuas palavras. E perceber que nos nossos silêncios construímos certezas dentro de nós.

…Cheirar-te. Guia-me com o teu doce odor, nesta viagem que fazemos noite dentro. Mostra-me os teus recantos. Quero saber-te de cor. Sem hesitações.

…Saborear-te. Deixa-me sentir o teu gosto. Guardar comigo os teus sabores. Como quem regressa de viagens distantes e sente ainda na boca o travo exótico das iguarias descobertas.

Leva-me pela mão. Mostra-me que no teu mundo tudo é possível. Olha-me com olhos de ver. Ouve as minhas estórias que não conto a mais ninguém. Conta as minhas cicatrizes e aceita-me como sou. Por inteiro. Com todos os meus defeitos e imperfeições. Com todos os desvios matreiros que percorri por engano até chegar aqui. A esta tua ilha em que me deixas perder. Fica ao meu lado no escuro. Recebe as minhas lágrimas e transforma-as em sorrisos. Partilha comigo o teu calor. Torna mais doce esta espera pelo dia de amanhã. Diz-me que aqui sou alguém. Ainda que tudo isto não passe de mais uma ilusão.


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