Os fragmentos de Tracey



Gosto de ir ao cinema e ficar sem palavras. Voltar para a luz do dia mas continuar presa ao que se passou lá dentro. Saber que o filme que acabei de ver ficará para sempre na lista. É raro, mas acontece. Este fim-de-semana vi Os fragmentos de Tracey e (in)felizmente ainda não tenho palavras que cheguem para o descrever. Tracey Berkowitz (a fabulosa Ellen Page que não pára de me surpreender desde Hard Candy) é uma adolescente de 15 anos, perdida no banco de trás de um autocarro, que anda à procura do irmão mais novo. Estas são as pistas deixadas à partida. A partir deste ponto o desafio é juntar os fragmentos dispersos por toda a película. Praticamente todo o filme se passa nunca ecrã fragmentado, absolutamente tentador, onde são semeados os detalhes que procuramos identificar e ordenar. Este é daqueles filmes que vale a pena rever, para conseguir captar todos os detalhes…mal posso esperar! Ainda por cima, como se já não fosse suficiente, a banda sonora não lhe fica nada atrás! Oh yeah…assim vale a pena ir aos movies :)

Aqui fica o trailer...



Grunge is alive

Hoje fizeram-me abrir o baú das memórias que me fazem sempre sorrir. Aquelas que me transportam à época em que tudo era a cores. Menos a roupa, que tinha de ser preta. Para mim foi tempo de conhecer a rebeldia, de querer ser diferente. E era...lá andava eu com o único piercing da escola. Comigo andava sempre o walkman com k7's que gravava, dos meus preciosos cd's. Comprados com as poupanças de muitas semanas. Para mim eram os tempos do Grunge. Tempos em que o volume do rádio não facilitava o diálogo. E as paredes forradas de posters afastavam qualquer um. Mas por dentro, a alma fervia com aquele som.

No meio das memórias encontrei um cd com esta raridade, que ouvia repetidamente enquanto sonhava com o meu amor platónico. Uma versão de
Throw Your Arms Around Me (Hunters And Collectors) pelos Pearl Jam.




I will come to you in the daytime
I will raise you from your sleep
I will kiss you in four places
As I go runnin' down your street
I will squeeze the life right out of your
I will make you laugh, I'll make you cry
And we may never forget it
As I make you call my name as I shout it to the blue, summer sky
And we may never meet again
So shed your skin lets get started
And you will throw your arms around me

I will come to you at nightime
I will climb into your bed
I will kiss you in 155 places
As I go runnin' round in your head
I will squeeze the life right out of your
I will make you laugh, I'll make you cry
And we may never forget it
As I make you call my name as I shout it to the blue, summer sky
And we may never meet again
So shed your skin lets get started
And you will throw your arms around me
Ohh yeah, uh huh, uh huh...
Oh...and you will throw your arms around me

Migalhas

Janeiro 2008


"Não digas nada, dá-me só a mão. Palavra de honra que não é preciso dizer nada, a mão chega. Parece-te estranho que a mão chegue, não é, mas chega. (...) Vou contar-te um segredo: há alturas em que as migalhas ajudam."

António Lobo Antunes, Migalhas

Azimute 1#

Home - Março 2008


O humor não melhora se passar a tesoura pelo cabelo.
Só se agrava...



Antes assim...


Há noites em que o sono simplesmente não chega. Por mais voltas que dê, não há maneira de conseguir sossegar. Parar por uns momentos. Procuro a todo o custo uma forma de afastar o que me corre cá dentro, mas não encontro a fórmula mágica. Ouço a chuva lá fora. Cai com a mesma intensidade com que as lágrimas vão escorrendo. Tal como acontece com a chuva, não há forma de as deter. Parece que estou determinada a fazer transbordar os rios, a deitar cá para fora toda a dor que se foi acumulando. Às vezes parece que vai parar, que já choveu tudo. Mas, logo a seguir, surge mais uma nuvem, e volta a fazer transbordar esta espécie de sistema de limpeza. Amanhã volto a levantar-me, e saio para a rua com um esboço de sorriso, que consegue enganar os mais distraídos. Olhando o azul do céu, ninguém diria que choveu toda a noite. Antes assim, que ninguém dá por isso, ouço dizer. Na verdade, por dentro, continuo a sentir-me à deriva neste mar que me rodeia. E sei que logo à noite vai chover outra vez.

Mrs. Dalloway

"Oh, Mrs. Dalloway... Always giving parties to cover the silence."
Richard Brown in The Hours

p.s.: Desde a primeira leitura que "Mrs. Dalloway" se tornou um dos meus livros preferidos. É angustiante a forma como, com o passar dos anos, me identifico cada vez mais com a Clarissa...pergunto-me se algum dia terei coragem para começar a viver a minha vida, pondo em primeiro lugar a minha vontade.

Terapia de Choque-late


HURRA :D
Hoje é dia de farra...de curar a ressaca e abusar do chocolate!
E é tão bom sentir-vos por perto, mesmo que só de tempos em tempos, chorar a rir e deixar de fora as coisas menos doces. Esquecer as outras terapias e focar os sentidos apenas naquilo que interessa, naquilo que nos aquece a alma.
Estou à vossa espera... ;)

Por um abraço...



Os amigos merecem o melhor e, depois de muito pensar, lembrei-me do melhor presente que alguma vez alguém vos poderia oferecer: uma das "minhas" pequenotas feras com bigodes de leite...;)
São todos vossos em troca de um abraço...!



p.s.: sim, quem tiver o melhor abraço pode escolher primeiro!

Insónia # 4

De volta às intermináveis noites de insónia e aos "sons catitas para ouvir noite dentro"...desta vez, deixo a minha música favorita dos Kings of Convenience. Aquele final consegue sempre arrepiar-me...mesmo debaixo da minha mantinha ;)

The build up - Kings of Convenience

Fora de serviço

Lisboa - Julho de 2007

De há uns tempos para cá, a minha vida desenrola-se lentamente, num ritual monótono, como se fosse um elevador, daqueles velhinhos e ferrugentos, que passam os dias num vai-vem arrastado entre dois pontos distantes.

Daqueles que, a cada subida, parecem desmanchar-se em peças, esforçando-se para cumprir o seu dever e por continuar a mostrar as belas vistas, no topo da colina.

Daqueles que, ao descer, parecem simplesmente deslizar sem qualquer controlo, dando a sensação de que se irão despenhar, sem que se aproveite uma única peça.

Daqueles que lutam, diariamente, contra os efeitos da erosão deixados nos carris, contra as marcas irreparáveis deixadas pelos passageiros.

Daqueles que albergam sempre mais um turista, de máquina fotográfica ao ombro, em busca de novas paisagens. Esperando sempre que os seus pesos o ajudem a manter-se no trilho certo, até ao cimo.

Turistas que partem, com a mesma facilidade com que chegaram, mas levando consigo as recordações da viagem...para mais tarde recordarem, nos seus países cinzentos.


Pois bem...o meu elevador avariou, fico parado lá no fundo, sem forças para voltar a subir. Parece que, desta vez, não há mecânico que lhe valha, as peças, moídas pelo uso, já não se fabricam e não há arranjo possível. Ficou fora de serviço. Por tempo indeterminado. Até que alguém seja capaz de o puxar novamente para cima...