Pause


Como uma miragem no deserto, surge à minha frente uma semaninha de férias...finalmente algum tempo para gastar com o que mais gosto. Seguem-se mais uns dias de "arrumações", conforme se espera no final de cada ano. Planeio repôr os açucares e as conversas. Os sorrisos e os abraços. Os passeios à beira-mar e os cafés ao pôr-do-sol. Na bagagem trago muitos filminhos para ver no sofá enroladita na mantinha e também uma lista infindável de sítios para passear. Apetece-me sair por aí e descobrir novos recantos...pena que seja tão pouco tempo para tantos sonhos!

Terapias

Após uma semana de dores começo a voltar à vida, dita normal.


Boa noticia: A fisioterapia faz efeito, embora MUITO lento :S



Má noticia: Já só tenho mais 14 sessões e, aproveitando a onda de solidariedade dos últimos dias, aceitam-se inscrições de voluntários para as massagens :P



Ai, ai , ai, ai, ai...

Tenho dói-dói...

p.s.: e dói muito :(

em balanço #1


Certos dias impõem-nos uma pausa para reflectir. Para fazer um balanço. Pedem-nos que olhemos para trás. Para o caminho percorrido até aqui. Desde aquele momento em que sentimos que não voltaríamos a conseguir respirar. Paro por instantes e tento lembrar-me do ponto de partida. Aquele momento exacto em que o meu mundo ruiu. Não são boas memórias. Guardo em mim com precisão fotográfica o instante em que tremi. Recordo o vazio e o desespero. O frio e a solidão. O medo. Lentamente esforço-me por traçar o mapa que me trouxe até aqui. A cada meta ultrapassada durante o ano revejo os momentos felizes. Os abraços apertados. As mãos dadas no escuro. Os sorrisos partilhados em silêncio. Para que eu soubesse que afinal não estou sozinha. Que afinal eu sou capaz. Que ainda me restam forças para chegar à casa da vitória. Desenha-se em mim um sorriso que me traz paz. Este balanço deixa-me calma. Sento-me e deslumbro-me com o ar que me enche os pulmões e me alimenta a certeza de que o pior já passou. Que daqui para a frente tudo será infinitamente melhor. Assim fecho os olhos, descontraio e penso: "Até aqui tudo bem".


@ Paris-Texas

"... I used to make long speeches to you after you left. I used to talk to you all the time, even though I was alone. I walked around for months talking to you (...) I even imagined you talking back to me. We'd have long conversations, the two of us. lt was almost like you were there. I could hear you, I could see you, smell you. I could hear your voice. Sometimes your voice would wake me up. It would wake me up in the middle of the night, just like you were in the room with me. Then... it slowly faded. I couldn't picture you anymore. I tried to talk out loud to you like I used to, but there was nothing there. I couldn't hear you. Then... I just gave it up. Everything stopped. You just... disappeared."
Nastassja Kinski in Paris-Texas


vidas alternativas #1

E agora começávamos tudo outra vez. Eu dizia que ainda acreditava no amor que nunca chegou, apesar de me quererem vender que tal coisa não existe. Tu contavas-me as tuas estórias, mostravas-me as fotos que foste tirando. Segredavas-me as tuas ilusões que não ousas admitir a ninguém. Eu falava-te das minhas feridas que insistem em não sarar. Provava-te que não tenho segredos. Só medos. Abria o coração para que me visses por dentro, para que conhecesses o mundo como eu o vejo. Tu contavas-me também das tuas desilusões e da tua vontade de estar, de sentir, de ser mais. E eu sorria enquanto me davas a mão e dizias que agora tudo ia ser diferente. Porque agora estes braços que me confortam não me iriam abandonar. Porque afinal as tuas palavras eram mesmo para ficar, até ao dia em que a minha alma deixasse de sentir.