03 novembro 2014

coordenadas #5



"E só então ele soube que por mais que fizesse, por mais que alcançasse, por mais que tentasse, se esforçasse, pedisse, ameaçasse, só então ele soube que nunca ia conquistar o amor da sua mãe. O que ele só então, tão tarde, soube foi que o amor não se ganha nem se perde, não vem como uma recompensa, não é uma meta que se possa alcançar nem sequer perseguir. O que ele soube, já tarde demais por ser sempre tarde demais, por já ter perdido tempo demais e não poder voltar a trás e, mesmo que pudesse voltar, já não ter forças ou tão-só a esperança para o querer, o que ele soube foi que o amor não tem razão, nem porquê, nem justificação, que é o que toda a gente sabe desde sempre: que se pode amar um assassino e desprezar um santo, que se pode sacrificar um justo por um malandro, que as contas do amor, se o amor for coisa que se possa contabilizar, não se fazem neste mundo."
Pedro Paixão



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