e agora?


Já várias vezes que dei por mim a desejar ter um google formatado à medida da minha casa. eu escrevia simplesmente chaves, e aparecia um link com a sua localização exacta. mais útil ainda seria com as papeladas, que teimam em ganhar asas! eu digitava certificado de habilitações e, algures numa tela, surgia o seu esconderijo. não vejo nada mais eficaz para me ajudar a encontrar as peças de roupa perdidas, em pilhas, no quarto da minha irmã. que outra ferramenta poderia ser mais eficaz para encontrar aquele cd que desapareceu sem deixar rasto? juro que já por várias vezes dei por mim sentada, de olhar fixo no cursor que pisca sem parar, enquanto me contenho para não escrever o nome de algum dos livros que teimam em fugir da estante...

...e sim, confesso, muitas são também as vezes em que sonho que esta ferramenta se pudesse adaptar à minha vida. que eu pudesse escrever as questões e obter a resposta certa em menos de um segundo. que pudesse pedir um mapa para o meu destino e me surgisse à frente a melhor rota para lá chegar. e hoje digitava um simples e agora? e recebia de volta as instruções. as tais que ninguém sabe onde estão guardadas.

pequena nota mental

"...your honour, we have a verdict: this man's heart is deficient!
he loves but his love worth nothing"


in Angels in America

obsessão!

Chegou o último desafio, a última prova. Finalmente posso acreditar que sou capaz de ganhar este jogo. Nestes metros que me restam as forças já são quase nulas. A motivação vem da imagem da meta que vejo aproximar-se a cada dia. Finalmente consigo vê-la. Mas honestamente ainda não a consigo sentir. Não me parece tão agradável como sonhava mas alcança-la é cada vez mais uma obsessão...



vidas alternativas #4

sim, admito, falta-me confiança. esta é a crítica que mais me têm feito nos últimos tempos. tenho a força para enfrentar o que me aparece pela frente. mas falta-me a determinação quando tenho de ser eu a arriscar. dou tudo o que tenho nas situações limite. provo que tenho a capacidade para ultrapassar o que venha. mas falta-me a coragem de ir atrás daquilo que preciso. enquanto não me sinto apertada. preciso sentir-me perdida para conseguir avançar. recuso-me apostar tudo. escolho sempre contentar-me com o pouco que me vá aparecendo. só quando me vejo vazia é que acordo e sinto que esse pouco não chega. queria conseguir arriscar. deixar-me ir. simplesmente sentir. vencer este medo que teima em aparecer nas piores alturas. que teima em estragar os melhores momentos. que me faz perder as imagens mais bonitas. que tantas vezes me afasta para onde eu possa passar despercebida. que me deixa escondida a ver os outros avançar. enquanto eu fico para trás. por detrás da máscara. no mundo dos sonhos. do que poderia ser. alimento em silêncio as ilusões que não arrisco viver. a insegurança não é de agora. mas os seus danos são cada vez maiores. a cada hesitação a dor torna-se mais forte. a cada passo em falso o medo cresce. a cada vez que me desiludo a confiança diminui. complica os actos mais simples. torna um simples olá numa missão impossível. obriga a que o sorriso sincero se esconda. impede que se aperte o abraço mais espontâneo. e adia mais uma vez aquele beijo que ficou por dar.