25 abril 2008

My Blueberry Nights


E, quando tudo parecia estar perdido, surge um convite irrecusável para assistir à sessão de abertura do IndieLisboa 2008. Subitamente acendeu-se a luzinha de esperança de ver em primeira mão o novo filme de Wong Kar Wai. Depois das últimas obras a expectativa era elevada e pode dizer-se que, apesar de ficar aquém do esperado, não deixa de ser um filme cativante. Daqueles que, para quem espera uma obra de cinema, começa por deixar um sabor amargo que, com o amadurecer das imagens, vai adocicando. Não será daqueles filmes pelos quais nos rendemos à primeira vista mas que, pelo contrário, nos vai conquistando nos pequenos detalhes.

Resumindo, acabei por me render. Não há aqui a magia de In the Mood for Love ou 2046 mas existem muitas marcas que nos lembram esses universos. As luzes, a cor, os toques quase milimétricos da banda sonora, cada cena desenhada como única. Para além do destaque, demasiado óbvio, para o Jude Law (ai, ai, ai...), não posso deixar de referir a brilhante interpretação da Rachel Weisz…não há palavras para esta mulher. Consegue sempre seduzir-me com aquela postura delicada, preenchida por um fogo que transparece a cada gesto. Está definitivamente no topo da minha lista!

Confesso que ia de pé atrás por causa da Norah Jones (desculpem-me mas não dava nada pela senhora como actriz…) mas acabei por me deixar levar. Não tanto por ela mas mais pela personagem. É difícil não estabelecer pontes, não me sentir também aquela Blueberry Pie deixada intacta no final de cada noite. Não que a tarte seja má de todo, mas parece que as outras, sendo mais populares, saltam mais à vista e acabam por ser sempre preferidas. Talvez porque ainda não surgiu a pessoa com o paladar suficientemente apurado para lhe descobrir as qualidades. É impossível não sentir a vontade de seguir viagem numa redescoberta de mim mesma, de partir em busca de outras personagens que também foram deixadas para trás.

Na minha mente ficou uma frase:

“It took me nearly a year to get here.
It wasn't so hard to cross that street after all, it all depends on who's waiting for you on the other side.”

…não sei quanto tempo levará, mas sei que será sempre mais fácil percorrer o caminho que nos leva ao outro lado da estrada quando soubermos quem temos à nossa espera.


p.s.: Thanks
:)

4 comentários:

NoZ disse...

Gostei tanto do filme!!! ( e mais outro tanto)

inês disse...

essa frase hoje faz todo o sentido, foi há um ano que tudo se quebrou...




ly my dealer*

C. disse...

noz: eu vou gostando mais à medida que vou recordando os detalhes...

inês: ainda bem que tu já deste a volta e encontraste o caminho :) não sei quanto tempo me levará mas vou continuar por esta estrada e esperar para ver o que acontece... parece-me que é mais fácil quando se sabe ao menos o que se procura e a verdade é que eu ainda nem isso sei :(

Anónimo disse...

Oh miúda, eu é que agradeço ;)
e quanto à frase...tu melhor que ninguém sabes do que o tempo é capaz, não é? por isso relax, temos tempo e leve o tempo que levar eu estou aqui para te empurrar ***