17 fevereiro 2015

porto de abrigo #1


Cinco anos, quatros casas. Tudo começou aqui, ou naquele segundo em que me apaixonei por aquela vista. Ali percebi porque estarei para sempre presa a esta cidade. Foram meses que passaram a correr. Sempre de casa cheia. Sempre de coração cheio. Olhando para trás percebo que pouco aproveitei o privilégio daquela morada. Passado um ano lá ia eu, escada abaixo, escada acima. toca a arrumar a tralha e a trocar de bairro. Deixei o meu monte e rumei à casa de bonecas que me acolheu por mais dois anos. Até ser tempo de procurar algo maior. Uma casa mais a sério. Mas ainda (sempre?) com aquela nostalgia da vista que perdi. Sempre aquela mágoa por não poder, em casa, perder o olhar no horizonte. Até que agora, mais dois anos passados, entrei nesta sala e me perdi no meu Tejo que corre lá fora. E nas paredes vazias à espera de serem habitadas com memórias. E nestas portadas que enchem de luz esta casa que pede para ser vivida. E isso é quanto baste para voltar a pôr toda a vida em caixotes, rumo ao novo espaço a que vou - muito em breve - chamar lar.

    Ninguém nunca pensou no que há para além
    Do rio da minha aldeia.

    O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
    Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

       Alberto Caeiro

2 comentários:

j. disse...

Adoro o chão! :) e os olhos já me brilham com a vista que ainda não conheço mas que já me fascina só pelas tuas palavras :)
beijo, Cat*

c. disse...

gosto do chão. e da luz. e do espaço. e da vista. e, principalmente, de estar vazia, com muitas paredes que ir decorando, com tempo! :)

(e às tantas ainda podemos ser vizinhas...)