14 novembro 2014

coordenadas #6


[«É a vida. A vida é assim...», diz-me
o Manel do Estádio.
Respondo-lhe, como
sempre, com um sorriso
quase feliz que não finta
nem quer a miséria da tarde.
Aquém ou além dele,
tenho apenas palavras, tinta
que dói ao secar. E insisto, pois
insisto, no registo insignificante
do que não acontece (tantas coisas),
teimosamente ocupado a perder
todos os eléctricos que deixaram
de passar nesta rua e na minha vida
- as duas, ao que parece, obsoletas.]
Manuel de Freitas

(do desfocar das rotas e de como facilmente ignoramos o que realmente importa)

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