15 março 2013

(re)começos


porque afinal todos os dias podem ser especiais. todos os dias podem ser aquele tal pelo qual esperamos há tanto tempo. e afinal em qualquer um pode acontecer o momento em que nos dispomos a parar por umas longas horas. em que temos de pensar nos dias que insistem em passar a correr. ou serei eu que os faço voar para não ter de pensar? há muito que me deixei disso. e (definitivamente) faz-me falta. uns minutos a não fazer nada. hoje lembraram-me do quanto faz bem ficar apenas sentada a ver a vida passar. e às vezes são precisos abanões para acordarmos desta dormência. deste modo automático que cria a ilusão de segurança. que mantém a engrenagem em movimento e nos cega para os sinais que vão chegando. até ao dia em que se tornam em gritos mudos que nos obrigam a parar. e a ver as asneiras que fomos fazendo pelo caminho. até ao dia em que sentimos tremer aquilo que realmente importa. aquilo que nos sustem. o tal dia em que nos dispomos a olhar à volta. com olhos de ver. e percebemos a nossa fragilidade. a forma como tudo pode desabar em segundos. e a insignificância daquilo que insistimos em priorizar. e então reconhecemos que há muito nos perdemos no caminho. mesmo que ainda não saibamos para onde queremos ir. mas afinal todos os dias podem ser perfeitos para percebermos ao menos que (por certo) não é por aqui. e então aprendemos que não se pode ter tudo. mas que, ao fim ao cabo, são as escolhas que tornam (ainda mais) importantes os pequenos triunfos do dia-a-dia. nestes dias recordamos quais os motivos que nos trouxeram até aqui. e todos os trilhos percorridos. e todos os mapas traçados. e os amigos que fizemos pelo caminho. e as memórias que fomos coleccionando. e relembramos finalmente o que é mais importante para nós. o que é que nos move. este é apenas outro (re)começo. como tantos outros. mas a cada arranque há novos forças que se juntam. novas perguntas e novas certezas. mas acima de tudo há uma necessidade de mudar. de olhar por mim. de aprender a pôr-me à frente de tudo o resto. quanto mais não seja por agora. ou até ganhar as forças suficiente para voltar a esquecer-me de mim por instantes.


2 comentários:

Luís Filipe C.T.Coutinho disse...

Quando nos esquecemos de nós é sinal que devemos recomeçar...


abraço

c. disse...

sim, sem dúvida, é altura de ver verdadeiramente as coisas :)