09 junho 2009

as mãos vazias


It's only after you've lost everything
that you're free to do anything

fight club


acordei e vi-me assim. de mãos vazias. no peito um buraco. a alma desfeita em mil pedacinhos. muitos deles levados pelo vento. para sempre. como um puzzle que é impossível completar. a carteira cheia de nada. as noites, cada vez mais longas, pintaram-se de branco. preenchidas apenas pelas imagens desfocadas que o tempo foi deixando. são apenas recordações que não consigo rever com exactidão. como fotos tiradas aqui e ali sem qualquer ligação aparente. como estrelas semeadas no céu de Inverno. brilham mas não iluminam o meu caminho. voltei a tropeçar. e, a cada queda, volto exactamente ao mesmo ponto. como se nunca tivesse chegado a partir. pergunto se algum dia serei realmente capaz de sair daqui. conseguirei livrar-me deste peso que me faz sempre regressar? quando será que me liberto de vez
disto tudo e consigo avançar?


9 comentários:

b.vilão disse...

Recordaste-me o Pedro Oom:

"Agora compreendo porque o vazio é uma ideia compacta. O meu lamento não é raiva nem certeza. Sou eu, expulso dos meus pensamentos.
Há qualquer coisa que faz sofrer infinitamente a humanidade.
Na planície aberta a todos os ventos levantou-se uma parede, caiu uma árvore, rompeu-se um dique, construiu-se uma ponte. E, de súbito, a vastidão rompe num falar brusco, de repelão, sem sustos:

«Bom dia, Vossa Excelência compreende, por certo, que eu, mísera, nada posso fazer quando o peso da consciência se abate como avalancha sobre a delgada crosta de um verniz de séculos. Vossa Excelência compreende, por certo... ».

Mas a noite chega e é a mesma de sempre.

c. disse...

(...)o vazio é uma ideia compacta


sim, meu amigo...e é precisamente a pesada consciência dessa verdade que dificulta cada recomeço. cada tentativa vã de combater essa força que nos esmaga. com a força da tal avalanche. que deita por terra os nossos modestos sonhos. tímidos desejos de arriscar preenche-lo *

b.vilão disse...

Bem... os sonhos não passam de uma dimensão forjada, provocada pelo recalcamento do desejo. Eu tento seguir a beleza do acto impulsivo. Não tenho medos. Avanço. Arrisco. Apareço. O desejo é que tem ficado submerso na alquimia das palavras escritas. E cansei-me do toque fisico sem o desejo a escorrer-me pelos dedos.

c. disse...

e onde arranjas tu coragem para enfrentar os medos? também eu arrisco e apareço. sigo o que quero. aquilo em que acredito. e acredito porque sinto. um sentir verdadeiro inundado de desejos. que teimo em não reprimir. que insisto em deixar transparecer por acreditar que é melhor viver que sonhar. mas mesmo assim o tal medo nunca deixa de estar à espreita. obrigando a que me mantenha muitas vezes presa à terra ao invés de me deixar levar pelos ventos...

telma disse...

essa frase do fioght club acho que fez agora mais sentido que nunca para mim. *

Intruso disse...

o tempo...

c. disse...

telma:
esperemos é que o fazer sentido nos ajude a encontrar o melhor rumo...*


Intruso:
...o tempo?!? será?

li disse...

fight club!! i love it*
acredito que seja verdade! pelo menos será mais fácil fazer o que queremos quando já nada há a perder.

tenho saudades*

c. disse...

li: sim, nessas alturas há menos peso na bagagem e custa menos a partida :)

(Li?!? desculpa mas...admito que não te reconheço :S sorry!)