10 junho 2008

De volta à partida

Copenhaga - Abril de 2004


E um dia acordamos e acreditamos que sim. Que passou. Que afinal aquelas nuvens que tornavam os nossos dias cinzentos, eram apenas passageiras. Um dia voltamos a sonhar, a iludir-nos. Deixamo-nos levar e queremos que aquele sorriso que nos ofereceram, não se apague nunca mais. Arrumamos as gavetas e temos ideia de estar tudo (finalmente) em ordem. Parece-nos que afinal o vendaval não foi tão severo como pensávamos e é possível voltar a pôr tudo em ordem. Aos poucos as nossas memórias vão sendo organizadas e arranjamos espaços para novas aventuras. Encontramos lugares para coisas novas que pensávamos já esgotadas. A cada dia reaprendemos a fazer as coisas mais básicas. Coisas que antes eram apenas rotina mas que nesse reinicio têm de ser planeadas ao detalhe. Aos poucos vamos interiorizando esta nova forma de viver. Vamos aprendendo a viver outra vida, que não aquela que conhecíamos. Que não aquela que desejámos em tempos. Agora tudo é mais efémero, nada é certo. Cada dia vale apenas por si mesmo, por mais um dia conquistado. Mais uma prova superada neste jogo em que desconhecemos a casa de chegada. Acreditamos que vamos vencer e que, sim, desta vez vamos pelo caminho certo. É desta que lá chegamos, ao lugar prometido em que tudo são rosas. Em que o sol brilha e há sempre um ombro para nos apoiar. E um dia, quando vamos embalados por esta ilusão e já deixámos para trás os medos, obrigam-nos a ver o que não queríamos. Forçam-nos a enfrentar o nosso maior medo. Não pedimos nada, nem era isso que queríamos mas…ali está! E, ao contrário do desejado, sentimo-nos pequeninos e indefesos. Afinal onde estão as forças? Que é feito das conquistas que fomos alcançando? Onde está o sorriso que nos desenharam? E, num segundo, tudo o que pensávamos sólido desaba à frente dos nossos olhos sem sequer termos tempo de reagir. A sensação de queda no vazio está de volta. Ali vamos outra vez por aquela espiral interminável que se percorre à velocidade da luz. Em poucos segundos voltamos ao ponto de partida. Ao ponto de onde partimos penosamente há tantos dias – já lhes perdemos a conta! Olhamos em volta em busca de alguma mão que se estenda mas estamos outra vez sozinhos. Aprendi que este é um caminho que se faz sempre sozinho. Caímos sempre desamparados e resta-nos a esperança que alguém nos puxe novamente à superfície e nos permita voltar a respirar. Há noites assim, demasiado longas para conseguirmos vivê-las na solidão
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4 comentários:

Bruno Miguel Pinto disse...

Aqui te deixo alguma energia positiva, a ver se as coisas correm melhor por esses lados: ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++.

Beijos

NoZ disse...

hey "grow back like a Starfish
Like a Starfish..." :)

Isabel disse...

really bad luck...

C. disse...

B:
Infelizmente mantém-se aquela regra do (+) por (-) dar (-) portanto, a menos que tropece em qualquer coisa positiva, o cenário mantém-se muito negro...


NoZ:
I wish...but I'm changing like the seasons :(

i:
...no words!