Sometimes everything is wrong...


...às vezes os dias são demasiado longos. Às vezes percebo que este vazio não se alimenta só de ilusões. Por muito que sonhe e crie mundos paralelos, por muito que fantasie com companheiros de viagem e com as aventuras vividas, a verdade é que há uma hora do dia em que a luz me força a ver que vivo sozinha nesta ilha. Afinal as figuras que me acompanham não passam de sombras que desaparecem à medida que o mundo vai girando. Às vezes percebo que o calor que me aquece nas noites mais frias é apenas fruto da minha imaginação. E, às vezes, tenho de admitir que sinto medo de arriscar viver de verdade. Medo de pedir mais. De exigir tudo aquilo a que tenho direito (...será que tenho?). Às vezes tenho de aceitar que sempre me contentei com muito pouco. Sempre me habituei a receber o que me quiseram dar sem admitir que essas pitadas de realidade não me chegam. Sempre tive medo de perder o pouco que vou conquistando, como se duvidasse conseguir chegar mais longe.
Às vezes sou invadida por uma vontade de conhecer o que há para lá do muro que construi à minha volta. Um muro que me protege mas que, acima de tudo, me limita. Mas existe sempre o medo de me confrontar com a realidade e de nesse combate perder as ilusões que me vão guiando através das noites. E, às vezes, as noites nunca mais acabam. Conto os segundos como se de grãos de areia se tratassem. Um após outro numa contagem infinita. Vou-me distraindo com ilusões que me dão as forças de que necessito para o dia seguinte. Às vezes não as encontro e regresso com a certeza de que nada disto faz sentido.