De há uns tempos para cá, a minha vida desenrola-se lentamente, num ritual monótono, como se fosse um elevador, daqueles velhinhos e ferrugentos, que passam os dias num vai-vem arrastado entre dois pontos distantes.
Daqueles que, a cada subida, parecem desmanchar-se em peças, esforçando-se para cumprir o seu dever e por continuar a mostrar as belas vistas, no topo da colina.
Daqueles que, ao descer, parecem simplesmente deslizar sem qualquer controlo, dando a sensação de que se irão despenhar, sem que se aproveite uma única peça.
Daqueles que lutam, diariamente, contra os efeitos da erosão deixados nos carris, contra as marcas irreparáveis deixadas pelos passageiros.
Daqueles que albergam sempre mais um turista, de máquina fotográfica ao ombro, em busca de novas paisagens. Esperando sempre que os seus pesos o ajudem a manter-se no trilho certo, até ao cimo.
Turistas que partem, com a mesma facilidade com que chegaram, mas levando consigo as recordações da viagem...para mais tarde recordarem, nos seus países cinzentos.
Pois bem...o meu elevador avariou, fico parado lá no fundo, sem forças para voltar a subir. Parece que, desta vez, não há mecânico que lhe valha, as peças, moídas pelo uso, já não se fabricam e não há arranjo possível. Ficou fora de serviço. Por tempo indeterminado. Até que alguém seja capaz de o puxar novamente para cima...
